Janeiro Branco e SST: o que os dados de 2012–2024 revelam sobre a saúde mental nas empresas

O Janeiro Branco convida a sociedade a refletir sobre saúde mental e, no mundo corporativo, essa pauta ganha uma camada extra de urgência. Estimativas internacionais indicam que depressão e ansiedade retiram 12 bilhões de dias de trabalho da economia global todos os anos, com impacto econômico de quase US$ 1 trilhão.

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Quem está vivo, está sujeito ao adoecimento.

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Saúde mental é multifatorial. Na maior parte dos casos, o nexo causal direto com o trabalho não é estabelecido, por isso é essencial distinguir fatores pessoais (endógenos) e fatores organizacionais (relacionados ao trabalho). Comorbidades, hábitos e experiências de vida podem influenciar o adoecimento; por outro lado, fatores como carga de trabalho, metas, conflitos, assédio, jornada e suporte gerencial também precisam ser avaliados com método e evidências.

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Fatores endógenos (internos), como hereditariedade, modo de vida, hábitos e atitudes comportamentais, devem ser considerados. Conclusões e diagnósticos sem base técnico-científica e jurídica adequada podem gerar danos e responsabilização.

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Modelo mental hígido (saudável)

Modelo mental hígido (saudável) pode ser entendido como um conjunto de crenças, padrões de pensamento e atitudes que ajudam o indivíduo a interpretar o mundo de forma realista, adaptável e funcional, favorecendo bem-estar emocional e comportamentos produtivos. Ele é flexível e pode ser desenvolvido com capacitação e treinamento contínuos.

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No Brasil, a leitura dos registros de afastamentos por transtornos mentais mostra que saúde mental não é apenas “bem-estar”: é um indicador crítico de Saúde e Segurança do Trabalho (SST), com efeitos diretos em afastamentos, custos e organização das equipes. Em 2024, o país registrou 471.649 concessões de benefícios por transtornos mentais (B31 + B91), um aumento de 66,5% em relação a 2023.

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Antes de avançar, vale diferenciar: B31 é o auxílio por incapacidade temporária previdenciário (sem nexo ocupacional reconhecido no benefício) e B91 é o auxílio por incapacidade temporária acidentário (com nexo ocupacional). Em regra, o B91 está associado à estabilidade acidentária no retorno; o B31, via de regra, não.

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Observação: indicadores de bases públicas podem sofrer ajustes conforme consolidações e recortes (ano, UF, setor econômico e ocupação).

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O “Janeiro Branco” em números: B31 vs. B91 (o que muda para a SST)

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Para a gestão de SST, conscientização precisa virar leitura objetiva de dados, e isso aparece nas categorias previdenciárias:

  • B31 (benefício comum / auxílio-doença): 461.822 concessões em 2024. Mesmo sem nexo acidentário estabelecido, representa um volume expressivo de trabalhadores afastados, gerando impactos em substituições, dimensionamento de equipe, sobrecarga operacional e custos indiretos.
  • B91 (benefício acidentário / auxílio-doença por acidente de trabalho): cerca de 10 mil concessões em 2024 (o painel apresenta o valor arredondado “9,8 mil” e a série histórica registra 10.102). Por envolver nexo com o trabalho, exige atenção redobrada em prevenção e gestão de riscos psicossociais.
  • Nota 1: Em 2024, o B91 (10.102 concessões) representou cerca de 2,14% do total (471.649) de concessões por transtornos mentais (B31 + B91).

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O alerta: desde 2012, o total anual de concessões por saúde mental (B31 + B91) cresceu de 213.853 (2012) para 471.649 (2024), aumento aproximado de 120,5%.

  • Nota 2: Isso significa que mais de 97% desse total aparece como B31 (sem nexo ocupacional reconhecido no benefício), ainda assim com impacto relevante em produtividade, custos e organização das equipes.

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E existe um desafio de contexto: na fotografia municipal mais recente, 45,9% dos municípios (2.558 de 5.570) declararam possuir políticas ou programas de atendimento a pessoas com transtorno mental. Isso reforça a necessidade de as empresas serem protagonistas na prevenção, no acolhimento e no encaminhamento adequado, no que couber. Vale reforçar: a NR-01 (GRO/PGR) trata do gerenciamento de fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho — não de avaliação clínica individual da saúde mental.

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Traduzindo saúde mental em produtividade: a métrica de “dias perdidos”

Se o Janeiro Branco é o ponto de partida, a gestão contínua precisa de métrica. Um dos melhores termômetros para traduzir o impacto no cotidiano é o total de dias perdidos (proxy de impacto produtivo) associados a afastamentos por transtornos mentais e comportamentais.

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No acumulado de 2012 a 2024:

  • B31 (comum): 614.973.441 dias perdidos
  • B91 (acidentário): 29.662.615 dias perdidos

Esses números dão materialidade ao tema: ambientes psicofisiologicamente desgastantes podem virar drenos persistentes de produtividade, além de agravarem rotinas de gestão de pessoas e SST.

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Importante: a NR-01 (GRO/PGR) trata do gerenciamento de fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho (perigos na organização do trabalho) e da definição de medidas preventivas. Não se trata de avaliação psicossocial individual.

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Radiografia do risco: causas por CID-10 (recorte do último ano apurado)

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Para orientar ações, é essencial entender quais CIDs mais aparecem nos afastamentos por saúde mental. No recorte do último ano apurado no painel, os grupos com maior destaque incluem:

  • F43 – Reações ao “stress” grave e transtornos de adaptação (28,6%)
  • F41 – Outros transtornos ansiosos (27,4%)
  • F32 – Episódios depressivos (25,1%)

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A leitura prática aqui é simples: grande parte do impacto está associada a quadros ligados a estresse, ansiedade e depressão, o que reforça a importância de atuar sobre fatores organizacionais (carga, metas, conflitos, assédio, jornada e suporte gerencial).

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Além disso, a visualização por série (2012–2024) mostra que os padrões variam conforme ano e tipo de benefício (B31/B91), então o acompanhamento deve sempre considerar recortes por setor e ocupação.

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Nesse sentido, para equilibrar a proteção à saúde do trabalhador com a necessidade de amadurecimento das práticas empresariais, a atualização da NR-01 (Portaria MTE nº 1.419/2024) incluiu expressamente os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) e no PGR. Segundo o MTE, há um período educativo e o início de autuação está previsto para 26 de maio de 2026.

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A inexperiência neste momento de transformação não pode nos permitir confundir a etiologia do adoecimento com os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho (FRPRT). Entrevistas, escutas, questionários e observações são insumos; isoladamente, podem ser frágeis, mas, combinados e bem documentados, ajudam a caracterizar o perigo, avaliar o nível de risco e orientar medidas de prevenção e controle.

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A categorização do nível de risco no inventário orienta a tomada de decisão: se medidas são necessárias, quais são e com que prioridade. Isso exige rotina, método e competência técnica em SST para diagnosticar, prevenir, mitigar e controlar fatores de risco ocupacionais.

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Nota técnica: desenvolvimento de um modelo mental hígido (saudável)

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Um modelo mental hígido (saudável) é flexível e favorece a adaptação a mudanças, o enfrentamento eficiente de desafios e a tomada de decisão com base em evidências.

Capacitação e treinamento contínuos são uma necessidade organizacional.

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Desenvolvimento de um Modelo Mental Hígido (SAUDÁVEL) tem como Característica:

  • Capacidade Adaptativa: Habilidade de ajustar o pensamento e o comportamento diante de novas situações, sem rigidez cognitiva.
  • Flexibilidade Cognitiva: Reconhecer que os modelos mentais são interpretações, não verdades absolutas, estando aberto a revisar pressupostos.
  • Percepção Realista: Interpretar fatos baseando-se em dados e evidências, em vez de emoções negativas ou crenças limitantes.
  • Gestão Emocional: Habilidade de regular emoções, lidar com a frustração e manter o equilíbrio diante de estressores.
  • Proatividade e Foco em Soluções: Em vez de focar no problema ou na culpabilização (vitimização), o foco está na busca de soluções e na melhoria contínua.
  • Autoaceitação e Confiança: Reconhecer as próprias capacidades e limitações, mantendo uma atitude positiva em relação a si mesmo.
  • Pensamento Sistêmico: Capacidade de ver conexões entre diferentes áreas da vida (pessoal, profissional, familiar) e entender o impacto das próprias decisões.

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Benefícios de desenvolver um modelo mental hígido (Saudável):

Melhor tomada de decisão. Relacionamentos interpessoais mais equilibrados. Maior resistência à ansiedade e estresse. Crescimento pessoal e profissional contínuo. Monitoramento cíclico (avaliação e melhoria)

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Como cultivar Modelo mental hígido/saudável:

Para desenvolver um modelo mental saudável, é necessário quebrar crenças limitantes enraizadas, reavaliar experiências passadas negativas e adotar uma mentalidade de aprendizado contínuo, se necessário, com apoio profissional.

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Setores e ocupações críticos: onde a atenção precisa ser redobrada

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O Janeiro Branco costuma ser genérico, mas a gestão em SST ganha força quando é direcionada. No recorte de 2024, aparecem destaques que ajudam a priorizar ações:

  • Setor bancário: “Bancos múltiplos, com carteira comercial” aparece como destaque em B91 (cerca de 1,9 mil).
  • Administração pública: “Administração pública em geral” aparece com maior volume em B31 Não Ocupacional (29,3 mil).
  • Transporte urbano: “Motorista de ônibus urbano” surge como ocupação em evidência nos afastamentos acidentários (B91) (cerca de 6 mil).
  • Varejo: “Vendedor de comércio varejista” aparece como destaque em B31 Não Ocupacional (cerca de 69,4 mil).

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Esses recortes ajudam a responder uma pergunta prática: onde priorizar prevenção, treinamento de lideranças e melhoria das condições organizacionais.

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Como o software de SST apoia o Janeiro Branco o ano todo

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Campanha é impulso; gestão é rotina, é processos. Sair do “achismo” e entrar na gestão técnica, modelo sociotécnico estruturado exige método e consistência, especialmente quando o volume de afastamentos é alto e os impactos são distribuídos por setores e funções.

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Um software de SST pode apoiar, por exemplo:

  • Mapeamento de fatores de riscos (Perigos) psicossociais: identificar áreas com maior recorrência e padrões de afastamento por saúde mental.
  • Indicadores de gestão: acompanhar evolução anual, recorrência, dias perdidos e recortes por setor/ocupação.
  • Capacitação de lideranças em todos os níveis: usar dados reais para orientar condutas e reduzir fatores como estresse, assédio e sobrecarga.
  • Governança e controle de informações: estruturar registros e análises com padronização, apoiando ações de prevenção e tomada de decisão.

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Conclusão: de uma folha em branco a uma gestão sólida

O Janeiro Branco nos convida a escrever uma nova história para a saúde mental. Para SST e RH, isso significa usar dados para priorizar onde agir, estruturar métodos de prevenção e manter o PGR vivo ao longo do ano. A série de 2012 a 2024 mostra crescimento relevante nas concessões por transtornos mentais e um volume expressivo de dias perdidos, a maioria sem nexo ocupacional reconhecido no benefício, mas com reflexos no ambiente produtivo, indicando que a escala do problema exige método, tecnologia e cultura consistente de apoio e prevenção.

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Fonte (dados e painéis consultados)

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FONTE: https://www.rsdata.com.br/saude-mental-nas-empresas-janeiro-branco-sst/ – Os textos deste post foram compartilhados do site RS DATA cabendo a estes os direitos autorais.

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FONTE FOTO: SEGVIDA

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