Novo Manual de GRO da NR-1: guia prático para integrar riscos psicossociais ao PGR

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) publicou o Manual de Interpretação e Aplicação do Capítulo 1.5 da NR-1, documento que orienta empresas e profissionais de SST sobre a implementação do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO).

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O manual apresenta orientações práticas para a aplicação do GRO, incluindo a identificação de perigos, a avaliação de riscos e a estruturação do Inventário de Riscos e do Plano de Ação do PGR. O documento também reforça a importância de considerar fatores relacionados à organização do trabalho, que podem gerar riscos psicossociais e impactar a saúde dos trabalhadores.

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A publicação passa a servir como referência técnica para apoiar as organizações na estruturação do GRO, trazendo maior clareza para a aplicação prática da NR-1.

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Elaborado pela Secretaria de Inspeção do Trabalho, o manual busca padronizar entendimentos e apoiar a interpretação da norma em todo o país. Para profissionais de Segurança e Saúde no Trabalho, compreender essas orientações é fundamental para estruturar corretamente o GRO e garantir a consistência técnica do PGR.

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Além disso, a publicação dialoga com discussões recentes sobre saúde mental e organização do trabalho, temas que têm ganhado cada vez mais espaço nas políticas públicas e nas práticas de gestão em SST.

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O que diz o novo manual de GRO da NR-1

O manual funciona como um guia estratégico para o dia a dia das empresas. Ele detalha os processos de identificação de perigos, avaliação e registro no inventário de riscos do PGR. Um dos pontos de destaque do documento é a forma como a gestão de SST é estruturada de maneira integrada, considerando também a organização do trabalho e os fatores que podem impactar a saúde dos trabalhadores.

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Segundo o manual, o sistema de gestão deve seguir um fluxo lógico e contínuo de melhoria, baseado em um ciclo que envolve definição de diretrizes, organização das responsabilidades, planejamento das ações, avaliação dos resultados e implementação de melhorias.

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Fluxo do Sistema de Gestão de SST (segundo o Manual da NR-1):

Figura – Estrutura do sistema de gestão de SST baseada no ciclo de melhoria contínua. Fonte: adaptado da OIT (2005), conforme Manual de Interpretação da NR-1.

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A partir dessa lógica de gestão estruturada, o manual também destaca algumas características essenciais do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO).

Entendendo o GRO na prática

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O Gerenciamento de Riscos Ocupacionais não é um documento estático, mas um modelo de gestão vivo. Segundo o MTE, ele deve ser um processo contínuo para tornar os ambientes de trabalho mais seguros. O manual reforça que o GRO deve ser compreendido como um processo contínuo de gestão, integrado às atividades da organização e orientado à melhoria permanente das condições de trabalho.

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Para isso, o manual reforça o uso do ciclo PDCA:

  • Planejar: Identificar perigos e avaliar riscos detalhadamente.
  • Executar: Colocar em prática as medidas de prevenção definidas.
  • Verificar: Monitorar se as ações estão funcionando e observar as condições de trabalho.
  • Agir: Corrigir falhas e buscar a melhoria contínua do sistema de gestão.

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Etapas fundamentais para a sua gestão

O documento detalha o passo a passo que as organizações precisam seguir para estarem em conformidade. De acordo com o manual, o gerenciamento de riscos ocupacionais inicia-se pela identificação sistemática dos perigos presentes nas atividades e ambientes de trabalho, seguida da avaliação dos riscos e da definição das medidas de prevenção.

  1. Identificação de perigos: Olhar para a operação e reconhecer o que pode causar lesões ou doenças.
  2. Avaliação de riscos: Analisar a probabilidade de ocorrência do dano e a gravidade de suas consequências.
  3. Medidas de prevenção: Definir ações para eliminar ou mitigar esses riscos.
  4. Inventário de Riscos Ocupacionais: Consolidar todos esses dados em um documento centralizado no PGR.
  5. Plano de ação: Estabelecer prazos e responsáveis para que as melhorias aconteçam.

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Características Essenciais do GRO

Para facilitar a compreensão, estruturamos as principais características do GRO apresentadas no manual:

CaracterísticaSignificado na Prática
Abordagem SistemáticaA gestão de riscos deve seguir um processo estruturado e não ações isoladas.
Melhoria ContínuaO sistema deve evoluir constantemente através do ciclo PDCA.
Documentação EstruturadaRegistros essenciais como o Inventário de Riscos e o Plano de Ação.
Participação dos TrabalhadoresEnvolvimento ativo dos colaboradores na identificação de perigos.
Integração de SSTA segurança deve estar integrada aos processos de negócio da organização.

O manual também destaca a importância da participação dos trabalhadores no processo de identificação de perigos e na construção das medidas de prevenção, reforçando que a gestão de riscos deve envolver diferentes níveis da organização.

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A conexão estratégica entre NR-1 e NR-17

Um dos pontos altos do manual é o reforço da integração com a Ergonomia. O texto deixa claro que a organização deve olhar para a NR-17 ao gerenciar riscos psicossociais.

Isso significa que as informações da Avaliação Ergonômica Preliminar (AEP) ou da Análise Ergonômica do Trabalho (AET) não podem ficar isoladas; elas devem alimentar diretamente o inventário de riscos do PGR. Essa visão integrada é o que garante uma gestão de SST moderna e evita a duplicidade de informações.

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Matriz de Risco: Severidade x Probabilidade

O manual sugere o uso de matrizes para graduar o nível de risco. Abaixo, apresentamos um exemplo de matriz de risco (5×5) inspirada nas orientações do documento:

Severidade \ ProbabilidadeMuito Improvável (1)Improvável (2)Possível (3)Provável (4)Muito Provável (5)
Leve (1)12345
Moderada (2)246810
Grave (3)3691215
Muito Grave (4)48121620
Morte (5)510152025

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A definição dos níveis de risco é o que orienta a priorização das medidas de prevenção dentro do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). Na prática, essa classificação permite que a empresa direcione recursos e ações para os riscos com maior potencial de causar lesões ou agravos à saúde dos trabalhadores.

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Perigo e Risco Psicossocial: saiba diferenciar

O manual ajuda a separar esses conceitos para evitar erros técnicos no preenchimento do seu inventário:

  • Perigo Psicossocial: É a fonte ou situação com potencial de causar dano, como sobrecarga de tarefas, cobranças abusivas ou falta de suporte da liderança.
  • Risco Psicossocial: É a combinação entre a probabilidade de o trabalhador sofrer um agravo (como burnout ou estresse crônico) e a severidade desse impacto.
  • Prevenção: Deve focar em ajustar a gestão e a organização do trabalho, indo além das ações voltadas apenas ao comportamento individual.

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Tecnologia: a aliada do profissional de SST

A teoria do manual é clara, mas a execução gera um volume enorme de dados. Gerenciar inventários, planos de ação e análises ergonômicas de forma manual ou em planilhas soltas é um risco alto para a empresa.

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Perguntas Frequentes (FAQ)

O manual da NR-1 é obrigatório?

O manual possui caráter orientativo e não cria novas obrigações legais. No entanto, ele tende a ser utilizado como referência técnica pela fiscalização do trabalho para verificar a correta aplicação da NR-1. Por isso, seguir suas orientações é uma forma importante de reduzir interpretações divergentes durante auditorias ou fiscalizações.

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Preciso incluir riscos psicossociais no PGR?

Sim. O Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) exige que a organização identifique e avalie todos os perigos presentes nas atividades e ambientes de trabalho. Entre esses perigos podem estar fatores relacionados à organização do trabalho, que podem gerar riscos psicossociais e impactar a saúde dos trabalhadores.

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A NR-1 exige a avaliação de riscos psicossociais nas empresas?

A NR-1 determina que a organização identifique perigos e avalie riscos relacionados às condições e à organização do trabalho. Nesse contexto, fatores como sobrecarga de trabalho, pressão excessiva por metas, conflitos, assédio ou falta de suporte da liderança podem configurar perigos que devem ser analisados no processo de gestão de riscos.

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Assim, os riscos psicossociais devem ser considerados dentro do processo de identificação de perigos e avaliação de riscos do GRO, especialmente quando associados às condições de trabalho e à organização das atividades.

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Existe EPI para risco psicossocial?

Não. Como se trata de um risco organizacional, o controle deve ser feito através de melhorias na gestão, nos processos e na carga de trabalho.

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Conclusão

A publicação deste manual eleva o patamar da gestão de SST no Brasil. Ao detalhar a aplicação do GRO e incluir a saúde mental na pauta, o governo sinaliza que as empresas precisam sair da “gestão de papel” e avançar para uma gestão efetiva de riscos. O desafio agora é estruturar processos que promovam ambientes de trabalho realmente saudáveis, produtivos e sustentáveis. Para os profissionais de SST, compreender essas orientações é essencial para estruturar um PGR consistente e evitar inconsistências que podem gerar problemas em fiscalizações ou comprometer a gestão dos riscos ocupacionais.

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FONTE: https://www.rsdata.com.br/manual-gro-nr1-riscos-psicossociais-pgr/ – Os textos deste post foram compartilhados do site RS DATA cabendo a estes os direitos autorais.

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FONTE FOTO: SEGVIDA

 

 

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